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Educação pelos Pares

por Bartolomeu Varela, em 23.12.08
Prólogo:
Ontem, teve lugar na Universidade de Cabo Verde, Campus de Palmarejo, um Seminário sobre a Educação pelos Pares, de que dá notícia o Portal da mesma universidade, sob o título:
Educação pelos pares: seminário aconteceu no Campus.
Porque se trata de uma interesante metodologia de abordagem de questões educacionais, reproduzimos um texto sobre a matéria publicado por Maria Rosário Pinheiro no blog de educação para a saúde, denominado "Saúde com estilo 2005", no seguinte endereço: http://saudecomestilo2005.blogspot.com/2005/11/educao-pelos-pares.html
Boa leitura.
BV


Educação pelos Pares: uma metodologia utilizada na Educação para a Saúde
Por Maria Rosário Pinheiro, Projecto Falsas Crenças, 2005

A Educação pelos Pares ou Peer Education é um conceito conhecido a nível mundial, sendo uma metodologia bastante utilizada, desenvolvida e divulgada em Programas de Promoção e Educação para a Saúde (ex: programas de educação sexual e prevenção e abuso de droga).
O que se entende por Educação pelos Pares ou Peer Education?
É uma abordagem pela qual uma minoria de pares representativos de um grupo ou população intencionalmente tenta informar e influenciar a maioria (Europeer, 1998).
Daí se considerar de forma simples que a educação pelos pares é a “comunicação par a par”. Portanto, o conceito “Peer Education” significa que aqueles que pertencem ao mesmo grupo ou estatuto social, educam-se mutuamente ( Europeer, 1998).
A educação de pares é uma metodologia que permite simultaneamente promover a aprendizagem e o desenvolvimento do outro (educatividade) e de si mesmo (educabilidade) através do desenvolvimento de acções racionais, intencionais, sistemáticas, fundamentais e técnicas. (Maria Rosário Pinheiro, Projecto Falsas Crenças, 2005)

Porque é que a Educação pelos Pares é vantajosa?
Como é sabido, o grupo de pares exerce uma forte influência social sobre os jovens desempenhando um papel fundamental no processo de construção e consolidação da identidade e autonomia dos mesmos, partilhando ideias, atitudes, valores e comportamentos.Neste sentido, os pares surgem como um recurso humano inestimável que permite uma adaptação das mensagens de prevenção e promoção e das actividades a cada cultura, estilo de vida, nível ou grupo social e idade, uma vez que, como afirmam Turner & Shepherd (1999, citados por Matos, s/d, apud Moura, Armanda, 2005) conhecem as problemáticas, os cenários e os actores activos, tornando-se muitas vezes mais eficazes do que os profissionais na transmissão da informação.
Segundo Senderowitz (1998, citado por Costa, 2001, apud Moura, Armanda, 2005), os educadores de pares podem, por um lado, enriquecer os programas trazendo ideias enérgicas, novas e vitais, por outro publicitar as actividade desenvolvidas, ajudando os seus pares a se interessarem e envolverem.
Visão semelhante possui Alice Alves (1999), considerando que a formação pelos pares (com o professor ou outro técnico na retaguarda) é uma aposta actual da pedagogia uma vez que facilita a relação horizontal, ao nível da linguagem, dos interesses, das vivências que são comuns.A criação da Carta de Ottawa, (importante documento no âmbito da promoção da saúde) em 1986 levou a que, entre outras coisas, a OMS posteriormente reconhecesse e considerasse a Educação pelos Pares como uma metodologia altamente eficaz na modificação dos comportamentos.

Quais os fundamentos da Educação pelos Pares?

• Os amigos procuram conselhos entre os amigos e são influenciados pelas expectativas, atitudes e comportamentos do grupo a que querem pertencer. (Lindsey, 1997)
• A informação, particularmente a informação significativa, é mais facilmente partilhada entre pessoas de uma idade próxima. (Mellanby, Rees &Tripp, 2000)
• As pessoas são persuasíveis por alguém ligeiramente superior mas não muito superior.
(Rogers, 1983)
• Os indivíduos necessitam da oportunidade de praticar comportamentos modelados e de serem reforçados pelos seus desempenhos para poderem modificar o seu comportamento.
(Bandura, 1986; Tuner & Shepherd, 1999)
Como conceber, planificar e desenvolver um projecto centrado na Educação pelos Pares?
1- Inicialmente é necessário definir a população alvo e efectuar um levantamento das necessidades dessa mesma população.Segundo Svenson e colaboradores (Peer to Peer Education, 1998) deve-se ainda:
2- Estruturar metas e desafios (definir os objectivos a alcançar, definir o modelo do projecto a seguir e determinar o modo de avaliação)
3- Iniciar o projecto:
a)Criar parcerias e angariar financiamentos
b)Elaborar um plano de acção
c)Seleccionar os educadores de pares, tendo por base alguns critérios essenciais: verificar se querem realmente integrar o projecto (voluntariado), devem ser aceites pelo grupo no qual se pretende intervir (grupo de pares educandos) e devem ser detentores de uma personalidade passível de se adequar à formação e às tarefas/actividades a desenvolver
d) Definir e criar as condições necessárias ao apoio das actividadese) Escolher o coordenador do projecto.

Quais as características que deve possuir um educador de pares?
Embora não haja um consenso europeu entre os vários especialistas no que se refere às características essenciais que um educador de pares deve possuir, Svenson e os seus colaboradores (Europear, 1998) reiteram alguns atributos:
1. capacidade de comunicação e assertividade
2. espírito inovador e abertura à mudança
3. capacidade para trabalhar em grupo e em equipa
4. respeito pelos outros e pela confidencialidade da informação5. interesse pelo tema do projecto ou intervenção específica

Abordagens da Educação pelos Pares:
(Svenson e colaboradores, 1998, Europeer)
1. Abordagem Pedagógica ou Educacional
2. Abordagem de Intervenção no Terreno
3. Abordagem de Difusão
4. Abordagem de Mobilização Comunitária
1. Abordagem Pedagógica ou Educacional:
• privilegia o cenário formal para apresentar a informação;• as sessões são fixas, tendo a duração de 1h-2h;
• utiliza técnicas didácticas e interactivas;
• a presença de adultos não é obrigatória;
• os educadores de pares possuem a mesma idade ou são ligeiramente mais velhos e podem não ter vivenciado as mesmas experiências;
• abordagem que privilegia a passagem da informação, a descodificação de mitos e noções erradas.
2. Abordagem de Intervenção no Terreno:
• privilegia o cenário não formal (centros de juventude, culturais, religiosos, etc);
• utiliza técnicas didácticas e interactivas;
• intervenção em grupos com características sociais (ex: minorias étnicas, jovens marginalizados);
• os educadores de pares geralmente pertencem a grupos sociais diferentes do grupo alvo, embora muitas vezes tenham a mesma idade, pertençam ao mesmo grupo étnico, partilhem a mesma linguagem e experiências, etc;
• abordagem centrada nos grupos ditos especiais que não gozam de uma abordagem formal educacional.
3. Abordagem de Difusão:
• privilegia a comunicação do tipo informal par a par ( “peer-to-peer”)
• os pares educadores partilham o mesmo grupo social dos pares educandos (grupo alvo)
• aproveita os contextos existentes (redes sociais e canais de comunicação) de modo a difundir a influência, mudança e inovação
• utiliza técnicas interactivas: discussão espontânea, peças de teatro e “sketches”, programas de rádio, quiosques de informação, festivais, etc.
• centra-se no princípio de que o grupo pode influenciar o grande grupo, a partir da partilha de informação, valores, ideias, atitudes e comportamentos.
• recorre e utiliza o líder de opinião.
4. Abordagem de Mobilização Comunitária:
• tem por cenário base a comunidade local (ex: comunidades étnicas, geográficas, escolares e religiosas)
• estabelece parcerias com as organizações da comunidade, líderes de opinião, jovens e profissionais
• os pares educadores representam a comunidade mais do que um projecto ou organização• é uma abordagem mais complexa do que as abordagens referidas anteriormente combinando em muitos caos aspectos destas três abordagens ( abordagem educacional, difusão e intervenção no terreno)

Educação de Pares na Educação para a Saúde
Os indivíduos possuem características, conhecimentos, atitudes e comportamentos comuns pelo que podem possuir o mesmo tipo de dificuldade e problemas na área da saúde.
(Maria Rosário Pinheiro, Projecto Falsas Crenças, 2005)

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publicado às 01:33


1 comentário

De Irma Brito a 05.06.2009 às 23:45

Olá
Que engraçado, o texto que publicou são os documentos que entrego nos cursos que lecciono sobre Educação pelos Pares.
A colega citada colaborou comigo, em tempos...
Enfim... chama-se difusão da informação
Um beijo Irma

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