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A propósito do perfil de ingresso no ensino superior.

por Bartolomeu Varela, em 19.01.12
Escolas privadas: queremos auto-estradas com portagens para o ensino superior? P3


Através do link precedente, tem-se acesso a um artigo em que se dá a conhecer a medida tomada em Portugal para evitar que a escola privada (do ensino secundário) seja utilizada como mero trampolim ou porta de entrada facilitada para o ensino superior.

Em Cabo Verde, o acesso ao ensino superior precisa de ser regulamentado de modo a exigir-se, de facto, maior rigor na apreciação do perfil de entrada, nomeadamente no ensino superior privado, que não tem vindo a realizar provas para a selecção dos alunos em função da demonstração da capacidade de ingresso.

Todavia, mesma na universidade pública, que sempre realiza as provas de ingresso, a investigação levada a efeito revela a necessidade de elevação do perfil de entrada dos alunos. É assim que, nas provas de acesso, que incidem sobre disciplinas nucleares dos cursos, em virtude do elevado índice de notas negativas, se tem seleccionado alunos com clasificações muito baixas, facto que não deixa de condicionar a evolução do desempenho académico dos estudantes, além de dificultar a gestão e a implementação cabal dos currículos.

Em todo o caso, o problema do perfil de entrada no ensino superior deve ser analisado numa perspectiva mais global, buscando soluções não apenas a nível do próprio subsistema do ensino superior, mas num plano sistémico, envolvendo, nomeadamente:
a) a necessidade de reforço da qualificação dos professores para o ensino básico e o ensino secundário, seja no âmbito da formação inicial, seja no quadro da formação em exercíco;
b) a ampliação das iniciativas de acompanhamento, supervisão e apoio pedagógico aos docentes destes níveis de ensino no exercício das suas funções;
c) a exigência de cumprimento integral dos currículos do ensino secundário, como condição para a conclusão deste nível de ensino e, em consequência, a avaliação final dos alunos do ensino secundário em relação a todos os conteúdos programáticos (propugna-se, pois, que seja banida, definitivamente, a prática de se avaliar os alunos apenas em relação aos objectivos e conteúdos ministrados, o que encoraja o não cumprimento cabal dos programas);
d) o reforço da inspecção do cumprimento dos programas e dos mecanismos de responsabilização dos docentes que, sem motivo atendível, não cumpram os programas curriuclares;
e) a ampliação, se necessário, do tempo de estudos, com vista ao cumprimento integral dos programas do ensino secundário;
f) a reformulação dos currículos do ensino básico e secundário e a melhoria dos métodos de ensino, especialmente nas áreas identificadas como mais problemáticas (ex: aprendizagem da língua portuguesa e da matetática), de modo a adequar o nível de ensino às exigências dos tempos actuais e, em particular, ao grau de complexidade do ensino superior;
g) uma maior aproximação entre as instituições de ensino superior e as escolas secundárias, tendo em vista uma mellhor articulação dos currículos e métodos de ensino nos dois subsistemas...

Concluindo,

A questão do nível de ingreso no ensino superior não se coloca apenas em relação à qualidade das escolas privadas do ensino secundário (que, de resto, acolhem uma franja pouco significativa dos alunos deste nível de ensino), mas é uma questão que releva de uma abordagem global e sistémica da problemática da formação em Cabo Verde.

Sem se pôr em causa a democraticidade do acesso ao ensino superior, este é um nível de formação que implica um elevado grau de exigências, em termos de aprioramento do conhecimento científico, pelo que deve estar resguardado dos efeitos maléficos de uma massificação em que a expansão quantitativa dos incritos e diplomados não é acompanhada da manutenção ou elevação da qualidade académica.

Bartolomeu Varela

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publicado às 03:09



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