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À pergunta epigrafada as respostas podem ser múltiplas.

 

Decerto, muitos responderão, aliás correctamente, que a excelência educativa (entendida como a procura, em cada contexto socio-educativo, do mais elevado nível de consecução dos objectivos e metas educacionais) começa pela educação básica, pois a este subsistema ou nível de ensino são atribuidas as responsabilidades de socializar as crianças no ambiente escolar e de propiciar-lhes a apropriação das aprendizagens ou competências básicas que lhes permitam prosseguir os estudos nas fases ulteriores do seu processo educativo.

 

Como sói dizer-se - argumentar-se-á, lucidamente -, é de pequeno que se torce o pepino. E de forma, quiçá, mais convincente, escudando-se na educação comparada, dir-se-á que é ao ensino básico que é atribuída, por excelência, a missão de preparar os indivíduos para que possam exercer a cidadania, desempenhando na vida societária, com conhecimento de causa, os seus direitos e deveres, enquanto membros do Estado e da sociedade, incluindo-se aqui a "sociedade global" , que tem vindo a ser, cada vez mais, o mundo de hoje.

 

Mas a resposta à questão suscitada precisa ser mais aprimorada. E algumas pistas para tal podem ser encontradas nas respostas  a questões como: Quem prepara os educadores para o ensino básico? Quem aprova os normativos, define os currículos, aprova os manuais e define as políticas em geral para o ensino básico? O ensino básico pode ser corectamente abordado como um caso à parte, fora das questões que se colocam a todo o sistema educativo?  

 

Se atentarmos no facto de os profissionais do ensino básico (profesores, gestores, coordenadores/supervisores, etc) serem formados em instituições do ensino médio e, cada vez mais, do ensino superior, ficará evidente que a própria excelência das aprendizagens básicas ou, genericamente, da educação básica, constitui responsabilidade que não pode ser assacada exclusivamente àqueles profissionais (do ensino básico), dependendo, antes, da consideração de todo um conjunto de factores que relevam da performance das políticas educativas definidas e implementadas ao nível de todo o sistema educativo.

 

Daí que nem sempre colham as acusações, mais ou menos frequentes, ouvidas de docentes do ensino secundário, médio e superior, segundo as quais o fraco desempenho dos estudantes destes níveis ficam a dever-se ao fraco desempenho dos docentes do ensino básico (e, or extensão, do secundário).  Na verdade, se é certo que existe um déficit de qualidade da nossa educação básica, quando a comparamos com indicadores de performance alcançado por outros países, em especial os do primeiro mundo ou do grupo dos chamados países emergentes, a compreensão para este facto exige uma abordagem global e sistémica da educação, que, em Cabo Verde, exige amplas e profundas mudanças, que vão da reconceptualização, reestruturação e regulação do sistema educativo, passam pela concepção de novos parâmetros curriculares e incluem, inexoravelmente, a revisão da política de formação dos docentes e profissionais de educação a diversos níveis...

 

Enfim, eis uma matéria para várias dissertações e teses. Importa que, tão cedo quanto possível, se criem espaços idóneos para um debate aprofundado, sistemático e o mais alargado possível dos problemas com que se defronta a educação cabo-verdiana, em busca de vias e formas adequadas para a sua solução, cientes, como todos estão ou devem estar, de que a excelência educativa só pode ser encarada correctamente como um proceso e um desafio permantes, no quadro de uma liderança esclarecida e partilhada, a diversos níveis, com o envolvimento dos mais diversos segmentos da sociedade.

 

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publicado às 11:24



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